sábado, 23 de agosto de 2008

Exposição em São Paulo revela os espaços de socialização GLS do Rio

A exposição que irá até o dia 19 de outubro, fará parte de um grande salão com três exposições dedicadas á temática GLBT, uma delas da Espanha, a “Colección Visible” traz obras de artistas internacionais consagrados, com trabalhos que se remetem ao relacionamento afetivo entre casais glbt. A outra é do inglês Barry Wolf sobre os transgêneros de São Paulo. Stephan será o único artista brasileiro a participar desse grande evento, promovido pela ABEH (Associação Brasileira de Estudos da Homocultura), que realizará seu quarto congresso nacional na USP em setembro.
“É uma conquista GLBTT ter uma exposição que mostra de maneira simpática e realista seus locais de convívio e diversão, além de contribuir para desmistificar o estigma que paira sobre a comunidade homossexual”, constata Pedro Stephan, revelando que pretende levar a exposição para outras cidades do Brasil.
Pelo fato ser uma “obra em progresso” Stephan continua fotografando os espaços gays do Rio e na edição paulista do “Entre Amigos & Amores” vai incluir ensaios inéditos recentemente realizados sobre o subúrbio e a baixada fluminense. O fotógrafo mostrará imagens desconhecidas do grande publico e mesmo do publico gay, acostumado a ver na mídia apenas o que acontece na badalada zona sul carioca.

SERVIÇO

Local: Pavilhão Ciccillo Matarazzo Sº. - 3º. andar - Parque Ibirapuera/São PauloQuando: 09/09 a 19/10- de terça-feira a domingo, das 9 às 18 horasEntrada gratuita Inauguração: Abertura no dia 09/09 – 19 horas.

Fonte: Jornal Corrêio da Ilha

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sérgio Ripardo conta porque deixou sua coluna de jornalismo gay na Folha de S. Paulo


Às vésperas de completar dois anos à frente da coluna Destaques GLS, espaço dedicado a assuntos do segmento em um dos maiores jornais online do Brasil, a Folha Online, o jornalista Sérgio Ripardo deixa a Redação da Rua Barão de Limeira. Dentre os motivos para sua saída, divergências internas e a descoberta de uma doença cardíaca que exige mais cuidado e atenção, além de menos estresse e pressão, comuns na imprensa diária.Em uma caminhada que começou com a cobertura do agronegócio e culminou em uma coluna de destaque, com o perdão do trocadilho, para o mundo LGBT, Sérgio agora aguarda novas propostas de trabalho. Em entrevista ao Mix, ele fala da crescente imprensa segmentada, escolhe suas matérias preferidas, cutuca os mais conservadores e denuncia um preconceito velado que ainda existe mesmo em uma metrópole como São Paulo.




Há quanto tempo você começou a escrever a coluna?


Neste ano, completaria dois anos. A primeira coluna foi ao ar no dia 25 de outubro de 2006.




Como foi essa entrada na Folha de S. Paulo?


Por meio de uma seleção pública, entrei na Folha em janeiro de 2000 como repórter do extinto caderno Agrofolha, época em que acompanhei bastante o debate sobre alimentos transgênicos. Em agosto do mesmo ano, consegui migrar para o FolhaNews, noticiário econômico on-line, onde passei a cobrir mercado financeiro e empresas com ações na Bovespa. Em 2005, fui promovido a editor da Ilustrada da Folha Online.




Por que está saindo? Tem algum projeto em vista?


Vejo qualquer emprego como um casamento: no início há o conto de fadas, depois as fichas vão caindo, e no fim é torcer para que não vire inimizade. Nos últimos meses, eu estava enfrentando algumas divergências internas, uma overdose de pressão e estresse. Coincidiu também que descobri uma doença cardíaca. Como urso, gordinho, não posso brincar com saúde. Meu projeto agora é tratar o problema de saúde e aguardar novas oportunidades.




Você acha que seu trabalho contribuiu de que maneira para os LGBTs?


Apesar do pouco período de duração, deu para registrar dois fenômenos legais: a popularização dos blogs gays e o novo capítulo da mídia desse segmento no país com o lançamento de novas revistas.




Considera importante para os homossexuais terem essa visibilidade dentro de um dos jornais mais importantes do Brasil?


Sim, é muito importante. Ajuda um pouco a neutralizar idéias atávicas de nossa cultura. Convivi com a homofobia de muitos leitores, principalmente evangélicos. Há ainda muita ignorância sobre direitos humanos, inclusive dentro da própria elite. É difícil ser um gay assumido dentro de uma Redação, mesmo em uma metrópole como São Paulo. A convivência com enrustidos, mal resolvidos ou carões é um tipo de "fogo amigo" que mina teu tesão por esse trabalho.




A coluna será mantida? O formato vai mudar?


Espero que a coluna seja mantida, mesmo que em novo formato. O ideal seria colocar uma mulher, lésbica assumida mesmo, para fazer o contraponto. O espaço tinha um público cativo, era a segunda coluna mais lida (só perdia para Zapping, que é uma coluna do "Agora SP"). Houve edição que bateu 100 mil page views na semana.




Se for mudar, desde quando essas mudanças são pensadas? Quais são elas?


Havia uma discussão sobre o nome. A sigla GLS virou retrô, antique, marca dos anos 90. O Duilio Ferronato, que assinou a coluna GLS na Revista da Folha, odiava essas letrinhas, achava cafona. Eu acho uma sigla simples de lembrar, que ainda tem significado para locais onde a questão LGBT engatinha. Além do nome da coluna, é preciso se posicionar sobre conceitos importantes. No começo deste mês, a Folha decidiu voltar a adotar a expressão "homossexualismo", que os militantes odeiam devido ao sufixo que lembra doença. Eu só escrevo "homossexualidade", mesmo que isso seja um ponto negativo no boletim.




Depois desse tempo escrevendo para os homossexuais, como você enxerga a imprensa para esse público?


Essa área da mídia está mais profissional, mais segmentada, tentando adaptar o que deu certo lá fora, buscando chamar o anunciante de peso e se viabilizar como negócio. Quando comecei a escrever Destaques GLS, amigos jornalistas diziam: "mas você era um repórter de finanças, assinando isso, você vai ficar com pecha e acabar com sua carreira". Eles não sabiam que esse alerta para o suposto perigo só me seduziu para a idéia. E foi bem difícil tentar retratar naquele espaço toda a infinidade de assuntos de interesse do público gay ou simpatizante, em enfoques e linguagem de consenso.




Tem feito avanços? O quê ainda precisa melhorar?


O surgimento em todo o País de novos veículos (revistas, sites e blogs) ajuda a enriquecer as percepções além das já oferecidas no eixo Rio-SP. O segmento vive uma fase interessante ao tentar se firmar como interlocutor político, agitador cultural, abrindo mais seu foco, incorporando novas tecnologias, criando realmente uma indústria de entretenimento para os LGBTs.




Durante suas coberturas você chegou a sofrer preconceito?


Muitas. Não só na área gay, mas o cérebro se encarrega de minimizar o caso, arquivar na conta do "foda-se". As implicâncias vão do meu sotaque cearense, que nunca fiz questão de esconder ou me desenraizar só para ser aceito, até minha atitude de ser gay assumido, de brincar de gongar com tudo, de ser gordinho. Há uma forte pressão para se criar uma falsa imagem de glamour, de ser exemplo a ser seguido. Isso me dá enorme preguiça.




Alguma crítica mais forte ou injusta por causa de alguma matéria? Qual?


Fui processado pelo ator Leonardo Vieira, protagonista de novela da Record. Ele colocou centenas de fotos no Flickr, os blogs reproduziram com tom maldoso. Procurei o Leonardo, que me liberou uma declaração. A coluna inteira descrevia as fotos e a declaração do ator condenando os blogueiros por divulgar as fotos em que ele aparece com um amigo. Os advogados do Leonardo conseguiram na Justiça tirar a coluna do ar com pedido de indenização de R$ 50 mil, alegando que o texto pintava o Leonardo como inimigo dos gays. O caso ainda rola na Justiça.




Quais você considera as três principais matérias que fez para os LGBTs? Por que?


"Faça as pazes com seu filho gay" teve um bom retorno de leitores - alguns héteros emocionados dizendo que o texto ajudou a entender o filho. Gostei bastante de "São Paulo, a terra do sexo gay". Era um texto abusado, mas útil, que irritou muita gente puritana e hipócrita horrorizada com os detalhes sobre pegação. O terceiro, "Como evitar ser pintosa em 2008", é meio a síntese de tudo: humor, deboche e algo que dificilmente você vai ler no jornal. Queria ter tido mais tempo para escrever Destaques. Toda a quarta só me sobravam poucas horas para escrever a coluna: das 18h às 23h.




Fonte: MixBrasil